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24 de maio, 2017

O bebê engasgou! E agora?

O bebê engasgou! E agora?

 

A maternidade é cheia de amor e recompensas, mas envolve dificuldades, medos e novidades também. O tempo todo! Que mãe não faz de tudo para ver seu filho bem? Mas e se, durante a amamentação, ele engasgar com o leite? Ou com a comida, com uma moeda, se ele já for maiorzinho? O que fazer?

No Brasil, milho, feijão e amendoim são os grãos mais comumente aspirados na faixa etária pediátrica. Por outro lado, o material mais relacionado a óbito imediato por asfixia é o sintético, como balões de borracha, estruturas esféricas, sólidas ou não, como bola de vidro e brinquedos.

“Em relação aos bebês, os engasgos com leite (materno ou fórmula) são os que ocorrem com mais frequência. Já na fase de introdução alimentar, os pais ou responsáveis devem redobrar o cuidado e evitar alimentos no formato de moeda. Também existem cortes específicos dos legumes e das frutas para evitar o risco de engasgos mais graves”, reforça a gastropediatra Sofia Jácomo.

Com até três anos, a criança não controla a mastigação e a deglutição de alimentos, pois não possui os dentes molares, estrutura importante na trituração de alimentos sólidos. A oferta de alguns tipos de alimentos a crianças pequenas, como amendoim, feijão, pipoca e milho, apresentam risco para a aspiração, pois as crianças vão degluti-los sem mastigar. Aí, qualquer distração, risada, brincadeira ou susto pode precipitar o acidente.

Ok, todas as precauções tomadas. Mas mesmo assim a criança engasgou. E agora? Nessa hora, o mais provável é que quem estiver acompanhando tudo se desespere e não saiba como agir, afinal essa não é uma situação da qual estamos prontos para lidar. Mas o que os especialistas são unânimes em afirmar é: mantenha a calma! Só assim você conseguirá seguir os procedimentos necessários.

Primeira coisa: observe se a criança sofre alguma alteração da sua cor, se ela ficar roxa (cianótica), faz algum tipo de ruído ou está com dificuldade para respirar. Durante o engasgo, a mãe deve suspender a amamentação e deixar o bebê de pé até se recuperar. Para crianças maiores de um ano, o mais recomendado é fazer a manobra de Heimlich, que explicaremos mais tarde. “Não só os pais, mas todos os cuidadores do bebê devem estar aptos a fazer essa manobra, que pode salvar a vida da criança”, lembra a doutora Sofia.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, logo após a aspiração de algum objeto, ocorre acesso de tosse, seguida de engasgo, que pode ou não ser valorizado pelos pais. A aspiração também deve ser considerada quando ocorre o primeiro quadro súbito de chiado no peito em crianças sem casos de alergia na família. Tosse persistente, chiado no peito, falta de ar súbita, rouquidão e lábios e unhas arroxeadas, são sinais sugestivos de que pode ter ocorrido a aspiração de corpo estranho (ACE).

Quando a ACE é parcial, a criança pode tossir e esboçar sons. Nesta situação, o melhor procedimento é a não intervenção no ambiente doméstico e encaminhamento a um serviço de saúde, para o tratamento definitivo.

Quando a ACE é total, a criança não consegue esboçar qualquer som, está com asfixia, falta de ar importante e até com os lábios arroxeados. Nesta situação, deve-se proceder da seguinte maneira:

• MAIORES DE UM ANO: manobra de Heimlich, que consiste em compressões abaixo das costelas, com sentido para cima, abraçando a criança por trás, até que o CE seja deslocado da via aérea para a boca e expelido.

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• MENORES DE UM ANO: 5 repetições com a mão na região das costas, a criança com a cabeça virada para baixo. Depois, outras 5 repetições de compressões na frente, até que o corpo estranho seja expelido ou a criança torne-se responsiva e reaja.

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Se você conseguir visualizar o corpo estranho na boca do seu filho, retire-o com cuidado, mas não tente ir às cegas com o dedo na boca, pois pode provocar lesões na região ou empurrar o corpo estranho para regiões mais baixas, piorando o quadro de obstrução.

Mais dicas para evitar que seu filho engasgue
• Não deixe pedaços de alimentos no prato, principalmente os arredondados.
• Os seguintes alimentos são de risco potencial para a aspiração: sementes, amendoim, castanha, nozes, milho, feijão, pedaços de carne e queijo, uvas inteiras, salsicha, balas duras, pipoca, chicletes.
• Mantenha os seguintes itens da casa longe do alcance de crianças menores de 4 anos: balões, moedas, bolinha de gude, brinquedos com peças pequenas, bolas pequenas, botões, baterias esféricas de aparelhos eletrônicos, canetas com tampa removível.
• Esteja ciente das manobras de desobstrução que você pode fazer em casa, que citamos aqui no post.
• Insista para que as crianças comam à mesa, sentadas. Evite alimentá-las enquanto correm, andam, brincam, estão rindo e não deixá-las deitar com alimento na boca.
• Corte os alimentos em pedaços bem finos e ensine a criança a mastigá-los.
• Supervisione sempre a alimentação de crianças pequenas.
• Fique atento às crianças mais velhas. Muitos acidentes ocorrem quando irmãos ou irmãs mais velhas oferecem objetos ou alimentos perigosos para os menores.
• Siga a recomendação da embalagem dos brinquedos, com relação à idade ideal para aquisição.

 

Cuidados durante a amamentação

1. Durante a amamentação, posicione o recém-nascido de forma que a coluna fique alinhada, mantendo contato barriga a barriga;

2. Retire a criança cuidadosamente do seio materno, mantendo-a na posição vertical, permitindo maior conforto ao recém-nascido para respirar.

3. Deixe a criança tossir e limpe sua boca

4. Se a criança apresentar dificuldade para respirar, deixe-a com a cabeça inclinada para baixo e dê leves tapas nas costas.

5. Se a criança parar de respirar, procure atendimento médico de urgência ou ligue imediatamente para o Corpo de Bombeiro.

Caso os engasgos sejam recorrentes, conte ao pediatra da criança, ela pode sofrer com um distúrbio de deglutição ou outra doença. A princípio, o próprio pediatra consegue identificar esse distúrbio fazendo um teste em consultório.