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7 de junho, 2017

Como fazer meu filho largar mamadeira e chupeta?

Como fazer meu filho largar mamadeira e chupeta?

 

Sim, eles são uma mão na roda e trazem paz para casa naqueles momentos mais críticos. Mas a chupeta e a mamadeira também precisam ser considerados como uma fase – e é preciso saber dizer tchau em um determinado momento.

Mas tirar o hábito da chupeta e da mamadeira do seu filho, que com certeza lembrará dos dois como algo útil e acalentador, geralmente vira uma batalha sofrida, tanto para a criança quanto para o adulto. E aí? Como enfrentar essa guerra?

De modo geral, é costume tirar a chupeta e a mamadeira entre 1 ano e meio e 3 anos de idade. Fazer isso pode representar uma perda para a criança – mas ela tende a sofrer menos do que os pais, que ficam morrendo de pena do filho. Não precisa ser assim. É possível vencer essa batalha em quatro passos – e poucas lágrimas de ambos os lados!

O primeiro é assumir que seu bebê cresceu. Essas pequenas transições soam aos pais como uma perda. Sinais de que seu filho vai se entregando ao mundo, ou seja, que vai tornando “menos seu”. Racionalmente pode não fazer sentido, mas, emocionalmente, aceitar o crescimento da criança é a primeira batalha a se vencer. De fato, a chupeta está bastante associada à fragilidade do bebê, representa a necessidade dos cuidados dos pais. Enquanto a mamadeira tem o mesmo simbolismo do peito, no sentido de dar conforto e segurança. Mas pense: ´por que na hora de trocar a fralda pela cueca é bacana e trocar a mamadeira pelo copinho não? É o mesmo tipo de desenvolvimento!

Não encare esse rompimento como uma perda, pois não é um momento de prejuízo e sim de benefício à criança. E o que são os pais na vida dos pequenos se não as pessoas mais capacitadas para mostrar a eles que a vida tem suas escolhas e papai e mamãe estão lá para ajudá-los a crescerem da melhor forma?

O segundo passo é ir aos poucos, tanto para a retirada da chupeta quanto da mamadeira. Há especialistas que defendem que isso aconteça ao mesmo tempo, mas depende do que a família estiver vivendo. Não seria muito bom, por exemplo, ser junto com o fim das fraldas, entrada na escola ou a chegada de um irmão, pois é muita informação para a criança. No caso da chupeta, o ideal é que, de início, seu uso se limite aos horários de dormir (inclusive as sonecas, sempre tentando retirar da boca da criança assim que o sono estiver mais pesado) ou quando a criança estiver diante de um grande estresse. Ou seja, sem essa de chupeta pendurada na roupa, na hora de brincar ou na cadeirinha do carro. Depois, é limitar para o sono da noite, até que venha o combinado de jogá-la fora.

Com a mamadeira, a primeira atitude é acabar com a mamada da madrugada – que, na verdade, nunca deveria ter existido. Aquela ideia de quando o bebê chora no meio da noite é fome não é verdadeira. A partir dos 3 meses, a criança já não tem essa necessidade. A segunda é introduzir o copo de transição para água e suco. Depois, usá-lo para dar o leite do lanche da tarde, se ele existir. Então, a mamadeira que sai é a da manhã, introduzindo a criança ao hábito completo do café da manhã (se for com os pais, melhor ainda!). Por último, a da noite. Isso tudo, claro, sempre alinhando com o pediatra a quantidade necessária de leite que deve ser ingerida pela criança.

Depois é preciso se programar. Quanto tempo vai demorar até seu filho esquecer os bicos? Difícil prever, mas não passar de um mês seria um ótimo limite. Também é importante não “sequestrá-los”, ou seja, tirá-los quando a criança não estiver olhando, pois ela deve participar do processo. “Os pais têm de dizer que estão indo guardar a chupeta ou deixar a criança guardá-la – e sempre em um local que ela tenha acesso”, diz Christine Bruder, psicanalista e idealizadora do berçário Primetime Child Development, em São Paulo. Também é importante que a mudança tenha uma meta na reta final, algo que motive seu filho a se esforçar. Pode até ser um combinado relacionado a alguma data importante ou acontecimento, como adiantar um presente que a criança esteja esperando.

Uma alternativa que dá certo é fazer com que a criança entregue a chupeta ao Papai Noel ou outro personagem que ela goste. Ela vai ter um contexto para a retirada e, mesmo que chore e sinta muita falta dela depois, os pais poderão lembrá-la de por que ela não está lá mais. Se não houver nenhuma data apropriada próxima, você pode inventar a “fada da chupeta”, que deixa um presentinho em troca. Há quem faça, por exemplo, um furinho na chupeta, prejudicando a sucção, dizendo ao filho que a chupeta “quebrou”.

Enfim… o negócio é dar uma cara de “o fim chegou” e depois, o mais importante: RESISTIR. Porque, sim, o seu filho vai pedir. Na hora do aperto, as crianças esquecem que concordaram com o fim da era de chupetas e mamadeiras e vão pedir por elas, muitas vezes esperneando da pior forma. Resista e não volte atrás! Continue com a rigidez a cada etapa da mudança. E, se for necessário, retire todos os bicos e mamadeiras da casa, para não cair na tentação de ceder;

E OS INIMIGOS?
Seu filho desistiu da chupeta, mas descobriu que pode chupar o dedo. E agora? Nada de pânico. O primeiro conselho é ignorar quanto pode, sempre chamando a atenção da criança para outra coisa. Sabe aquilo do “se contrariar vai parecer ainda mais gostoso”? Pois vale aqui também. Ocupar a mão da criança com brinquedos é também uma ótima saída.

Outro ponto importante é não criar traumas ou estigmas nesse processo, dizendo coisas como “usar chupeta é feio”. Isso só vai piorar as coisas, até porque a criança não vai se sentir estimulada a deixar o hábito por causa disso – e a consequência pode ser um estresse ainda maior. E nada de “mamadeira é coisa de bebê” assim, em tom pejorativo: se precisar se referir a isso, opte sempre para o lado positivo, mostrando quanto é bacana crescer e alcançar novas conquistas e aprendizados.

Ah, e se for premiar a criança por não usar a chupeta, prefira brincadeiras, passeios, privilégios, adesivos ou presentinhos simples. Não dê doces a ela no lugar da chupeta pois aí você estará entrando em outros problemas: alimentação, açúcar, escovação, dentes.

Lembre-se das boas razões para ser firme e tentar fazer com que a criança abandone o hábito. Ela não ajuda, por exemplo, crianças que parecem estar desenvolvendo problemas de fala. O ato de sugar ou chupar mantém a boca da criança em uma posição pouco natural, dificultando o desenvolvimento dos músculos da língua e dos lábios.

Mesmo que não dê para perceber nada de errado, seu filho está aprendendo a falar, e fazer isso com uma chupeta na boca pode atrapalhar o processo, alterando o modo como os sons são pronunciados e restringindo os movimentos da língua.

Em alguns casos, o uso frequente da chupeta faz com que a língua se projete para a frente, o que pode causar problemas nos dentes ou de ceceio (às vezes confundido com a língua presa: a língua entra no meio dos dentes na hora de falar sons como”s” e “z”).

Por esses motivos, é recomendado limitar o tempo de chupeta da criança ao mínimo possível (somente quando ela for dormir, por exemplo) e ajudá-la a parar de vez com o hábito o quanto antes.